Foi o que eu fiz hoje. Acordei tarde. A chuva que começou de madrugada e se estendeu pela manhã convidava a ficar mais 5 minutos na cama, e assim eu fiquei vários cinco minutos, até criar coragem pra me levantar. Tomando meu café recebi uma notícia inusitada, não fiquei triste, pelo contrário, me senti até aliviada, mas de certo modo chateada. Então depois disso e durante toda à tarde eu enumerei numa folha de papel todos os meus compromissos e deveres, porém não consegui concluir nenhum deles...Senti uma imensa vontade de colocar a primeira roupa que visse pela frente e sair por ai pra somente pensar na vida...E foi o que eu fiz! Coloquei então a personal stylist de lado, abri meu guarda roupa e peguei a primeira coisa que encontrei. Uma calça dessas que parecem pijama, camiseta branca e chinelos. Um rabo de cavalo e sai pra andar.
Tudo isso pra que vocês percebam que nem mesmo nós profissionais de moda, vivemos impecavelmente vestidos desde o nascer até o pôr-do-sol. E nem devemos, sabe por quê? Todo mundo tem o direito de ‘surtar’ de vez em quando. Que importa o que os outros vão pensar?
A moda é comunicação, independente se o que você está vestindo esteve nas passarelas do último Fashion Week. A roupa, dentro de um contexto sociológico, nos ajuda a formar máscaras. Usamos máscaras o tempo todo enquanto estamos inseridos na sociedade, e nem nos damos conta. Por mais que tratemos a todos com igual respeito e educação, agimos de formas diferente, seja com nosso chefe, com os colegas de trabalho, nossos amigos, familiares, paquera, enfim... Somente quando estamos sozinhos com nós mesmos é que nos despimos dos personagens. E isso não é prejudicial, fazemos sem perceber para nos proteger, é nossa alto defesa. Quantas vezes nos vestimos para impressionar pessoas, atrair olhares, passar a idéia de superioridade, de alguém mais jovem? Então, é mais ou menos isso, só que dessa vez ao contrário. Quando você se vir diante de uma situação como esta e resolver sair pra espairecer os pensamentos não estará usando máscara nenhuma, será você, tal qual é quando está sozinho em casa, porque nestes dias, pouco importa se estão olhando pra você e torcendo o nariz.
E isto não vale só para ‘dias nublados’. Sabe aquele vestidinho que você morre de vontade de usar e por vergonha ou outro motivo quem tem usado é o seu armário? Então, da próxima vez que olhar pra ele, não tenha dúvidas, vista-o, levante a cabeça e ganhe as ruas.
Muitas vezes é necessário humor e loucura pra se viver de verdade (entenda-se com intensidade).A moda e suas vária vertentes existem pra ajudar, mas deixá-la de lado às vezes também faz parte. Permita-se, até porque ao surtar você estará criando sua própria moda.
Taís Rolim
