Os triângulos illuminati se multiplicaram e agora se acomodam ao redor do globo.

10 de março de 2012

Filosofia Escrachada: LINDEMBERG E EU por Camila Pascoal


Estreei no blog de uma forma um tanto quanto poética... Se não poética, filosófica, reflexiva. Teorias absorvidas de experiências vividas que foram compartilhadas, traduzidas.
Pois bem. Hoje quero contar uma história. Não é bem uma história que começa com “Era uma vez” e termina com “E viveram felizes para sempre!”. É mais um acontecimento que me fez refletir nos rumos que nossas vidas tomam...
Há um tempinho atrás – quanta modéstia! Uns quatro anos atrás – conheci uma pessoa. Ela não fez parte de minha convivência, não sei nada sobre seus gostos, seus hábitos, seus costumes, seu comportamento, apenas a conheci. Era apenas um conhecido. Eu estava no colegial e, como todos adolescentes dessa época, nos reuníamos na lanchonete em frente o colégio para matar uma aulinha ou passar o tempo nas aulas vagas... Fazer festa mesmo! Tenho saudades, pois aos 16 anos tudo é motivo de festa: a professora faltou – uhuuuul! Quarta é feriado – uhuuuuul! A água da escola acabou – uhuuuul! ABSOLUTAMENTE TUDO ERA FESTA!
Numa dessas festas da lanchonete, um garoto da minha sala, no segundo ano do ensino médio, Rodrigo levou um vizinho seu. O nome dele – incomum – era Lindemberg. Foi assim que o conheci. Ele, Lindemberg, tornou-se assíduo de nossas festas, mas sempre destoava de todos. Quieto, mudo, não encarava ninguém. Esboçava alguns poucos sorrisos de canto da boca quando algo realmente engraçado acontecia, mas de resto, não reagia. E mesmo com toda essa introversão, timidez, encabulamento, ele estava lá! Assíduo, no entanto introspectivo.
E assim foi. Dia de festa era de lei: “E aí Lind!”, “Oi, Lind!”. Nossa comunicação se restringia a isso. Festa começava, festa acabava... E a gente nem prestava atenção se ele estava lá ou não. O cumprimento era automático, assim como dar “bom dia” ao seu vizinho se ele estiver na rua.
Concluí o segundo ano, mudei de casa, mudei de escola... E o resto da história se vocês não adivinharam, vou refrescar suas memórias: Lindemberg foi julgado há duas semanas e condenado a 98 anos de cárcere privado principalmente pelo assassinato de Eloá, sua ex-namorada.
Essa história me chocou? Sim! Sinceramente, não foi exatamente pelo fato da infelicidade geral em si, mas pelo drama da situação envolvendo uma pessoa que eu conheço e olha só, ele era o agressor! A gente vê coisa ruim acontecendo a rodo em todo lugar, com todas as pessoas, mas quando acontece a dez minutos de nossa casa e um conhecido nosso que seja, está envolvido, tudo muda de figura. A proximidade dos fatos me impressionou.
Gente, como é que aquele moço calado, estranho, sério, meio abobalhado age de forma a dar esse destino a si mesmo? O que aconteceu? O que transforma o garoto introspectivo em um assassino frio?
Acho completamente questionável a conduta do Grupo de Operações Especiais na condução das negociações e acho que o julgamento também foi conduzido dubiamente, mas no que isso altera o fato de que ele assassinou um ser humano? Não dá pra sentir pena do meu conhecido e ignorar a drama pessoal dos adolescentes que ficaram sob a mira de um descontrolado armado e da família que perdeu um precioso integrante.
Apesar de tudo, o que mais me impressiona é a fragilidade do ser humano. Sua vulnerabilidade. Até que ponto podemos confiar em outro ser humano? Como entregar nosso coração para alguém, acreditando que dormiremos e acordaremos todo dia com a mesma pessoa? Como descobrir se seu sorriso condiz com seu coração e que suas palavras são verdadeiras. Ou tudo bem, que não sejam verdadeiras, mas até que ponto a tortuosidade do caráter alheio irá nos afetar? Quantas vidas serão perdidas devido ao desvio de personalidade de outras?
A humanidade precisa mesmo é de autocontrole. Autocontrole na hora de consumir, na hora de se doar, na hora de amar, na hora de comprar, na hora de viajar, na hora de lidar com decepções, com desilusões, autocontrole de suas emoções... Autocontrole para superar obstáculos sem prejudicar seu semelhante.
Existe uma palavra que eu amo, mas que muitas pessoas nem sabem seu significado. A tal da TEMPERANÇA que pode ser facilmente reconhecida em forma de domínio próprio, autocontrole.
O que as pessoas que estão à sua volta fizeram para merecer sua confiança? Até que ponto atitudes impensadas tomadas por elas, te prejudicam?
Controle sua entrega de amor. Controle sua carga de sentimentos. Tenha temperança em suas atitudes, pois elas sempre serão responsáveis pelas conseqüências da sua vida. Talvez Lindemberg tenha mesmo se arrependido do que fez, mas não acredito que ele possa ter uma vida emocionalmente saudável hoje em dia... Sabe por quê? Pois a consciência é o pior inimigo de nosso domínio próprio.
 “Até o amor sem TEMPERANÇA é uma forma de DESCONTROLE. (...) E as conseqüências sempre serão o termômetro de nossas atitudes.”

Um comentário:

  1. Orgulho desta menina aí q escreveu este texto inteligente e sensível.
    Beijo feiosa mais linda!

    ResponderExcluir