Estreei no blog de uma forma um tanto quanto
poética... Se não poética, filosófica, reflexiva. Teorias absorvidas de
experiências vividas que foram compartilhadas, traduzidas.
Pois bem. Hoje quero contar uma história. Não é bem
uma história que começa com “Era uma vez” e termina com “E viveram felizes para
sempre!”. É mais um acontecimento que me fez refletir nos rumos que nossas
vidas tomam...
Há um tempinho atrás – quanta modéstia! Uns quatro
anos atrás – conheci uma pessoa. Ela não fez parte de minha convivência, não
sei nada sobre seus gostos, seus hábitos, seus costumes, seu comportamento,
apenas a conheci. Era apenas um conhecido. Eu estava no colegial e, como todos
adolescentes dessa época, nos reuníamos na lanchonete em frente o colégio para
matar uma aulinha ou passar o tempo nas aulas vagas... Fazer festa mesmo! Tenho
saudades, pois aos 16 anos tudo é motivo de festa: a professora faltou –
uhuuuul! Quarta é feriado – uhuuuuul! A água da escola acabou – uhuuuul!
ABSOLUTAMENTE TUDO ERA FESTA!
Numa dessas festas da lanchonete, um garoto da
minha sala, no segundo ano do ensino médio, Rodrigo levou um vizinho seu. O
nome dele – incomum – era Lindemberg. Foi assim que o conheci. Ele, Lindemberg,
tornou-se assíduo de nossas festas, mas sempre destoava de todos. Quieto, mudo,
não encarava ninguém. Esboçava alguns poucos sorrisos de canto da boca quando
algo realmente engraçado acontecia, mas de resto, não reagia. E mesmo com toda
essa introversão, timidez, encabulamento, ele estava lá! Assíduo, no entanto
introspectivo.
E assim foi. Dia de festa era de lei: “E aí Lind!”,
“Oi, Lind!”. Nossa comunicação se restringia a isso. Festa começava, festa
acabava... E a gente nem prestava atenção se ele estava lá ou não. O
cumprimento era automático, assim como dar “bom dia” ao seu vizinho se ele
estiver na rua.
Concluí o segundo ano, mudei de casa, mudei de
escola... E o resto da história se vocês não adivinharam, vou refrescar suas memórias:
Lindemberg foi julgado há duas semanas e condenado a 98 anos de cárcere privado
principalmente pelo assassinato de Eloá, sua ex-namorada.
Essa história me chocou? Sim! Sinceramente, não foi
exatamente pelo fato da infelicidade geral em si, mas pelo drama da situação
envolvendo uma pessoa que eu conheço e olha só, ele era o agressor! A gente vê
coisa ruim acontecendo a rodo em todo lugar, com todas as pessoas, mas quando
acontece a dez minutos de nossa casa e um conhecido nosso que seja, está
envolvido, tudo muda de figura. A proximidade dos fatos me impressionou.
Gente, como é que aquele moço calado, estranho,
sério, meio abobalhado age de forma a dar esse destino a si mesmo? O que
aconteceu? O que transforma o garoto introspectivo em um assassino frio?
Acho completamente questionável a conduta do Grupo
de Operações Especiais na condução das negociações e acho que o julgamento também
foi conduzido dubiamente, mas no que isso altera o fato de que ele assassinou
um ser humano? Não dá pra sentir pena do meu conhecido e ignorar a drama
pessoal dos adolescentes que ficaram sob a mira de um descontrolado armado e da
família que perdeu um precioso integrante.
Apesar de tudo, o que mais me impressiona é a
fragilidade do ser humano. Sua vulnerabilidade. Até que ponto podemos confiar em
outro ser humano? Como entregar nosso coração para alguém, acreditando que
dormiremos e acordaremos todo dia com a mesma pessoa? Como descobrir se seu
sorriso condiz com seu coração e que suas palavras são verdadeiras. Ou tudo
bem, que não sejam verdadeiras, mas até que ponto a tortuosidade do caráter
alheio irá nos afetar? Quantas vidas serão perdidas devido ao desvio de
personalidade de outras?
A humanidade precisa mesmo é de autocontrole. Autocontrole
na hora de consumir, na hora de se doar, na hora de amar, na hora de comprar,
na hora de viajar, na hora de lidar com decepções, com desilusões, autocontrole
de suas emoções... Autocontrole para superar obstáculos sem prejudicar seu
semelhante.
Existe uma palavra que eu amo, mas que muitas
pessoas nem sabem seu significado. A tal da TEMPERANÇA que pode ser facilmente
reconhecida em forma de domínio próprio, autocontrole.
O que as pessoas que estão à sua volta fizeram para
merecer sua confiança? Até que ponto atitudes impensadas tomadas por elas, te
prejudicam?
Controle sua entrega de amor. Controle sua carga de
sentimentos. Tenha temperança em suas atitudes, pois elas sempre serão
responsáveis pelas conseqüências da sua vida. Talvez Lindemberg tenha mesmo se
arrependido do que fez, mas não acredito que ele possa ter uma vida emocionalmente
saudável hoje em dia... Sabe por quê? Pois a consciência é o pior inimigo de
nosso domínio próprio.

Orgulho desta menina aí q escreveu este texto inteligente e sensível.
ResponderExcluirBeijo feiosa mais linda!