Os triângulos illuminati se multiplicaram e agora se acomodam ao redor do globo.

17 de novembro de 2012

Poliamor

O poliamor é um dos temas que vêm ganhando mais visibilidade ultimamente e, consequentemente, mais representação; às vezes equivocada, às vezes não. A Dri Pepper escreveu pra gente sobre o poliamor e as suas possibilidades.
Um dos primeiros passos na aceitação das diferenças é entender que não existe uma fórmula de como devemos ser, como devemos viver a vida. Cada pessoa é única e tem todo o direito de ser assim, seja como for. A mesma liberdade de ser vale para relacionamentos. Desde que os envolvidos estejam de pleno acordo, não há necessidade de seguir nenhuma receita de bolo em busca de aceitação social. Assim, vão surgindo novas formas de relacionamento, muitas delas abarcadas pelo termo guarda-chuva “poliamor”, grego+latim pra algo como muitos amores.Por sua abrangência, o termo mais apelida do que define, por incluir em seu significado todos os amores que envolvem mais gente do que apenas um casal. A parte do “amor” é a essencial, diferenciando o poliamor do relacionamento aberto e da prática do swing, ambos de cunho mais sexual do que amoroso. O poliamor trata de relacionamentos fixos, de compromisso mútuo e do amor e respeito como infinitos, inacabáveis: quanto mais amor e respeito você dá, mais amor e respeito você gera, continuamente, eternamente.Mas será que é possível se apaixonar por mais de uma pessoa? A resposta não importa, desde que entendida como pessoal. O que vale para os sentimentos de um não necessariamente corresponde aos sentimentos de outro. Da mesma forma, o ciúme também não é universal, mas antes uma construção cultural baseada na predominância da monogamia como noção de posse do outro. A reflexão e a decisão são individuais e a sua resposta pode ser diferente do que a sociedade dita, especialmente se faz mal a você ou a qualquer outra pessoa.Uma relação poliamor pode envolver qualquer número de homens e/ou mulheres, cis/trans*/queer, que se identifiquem com quaisquer sexualidades. As dinâmicas são igualmente variadas: um trio, por exemplo, pode ser um V, onde Amanda namora Carla que namora Flávia (mas Amanda e Flávia não sentem nada especial uma pela outra, havendo ou não sexo entre elas) ou uma tríade, onde Amanda, Carla e Flávia se amam mutuamente, em todas as direções, digamos assim. O acordo entre as pessoas envolvidas pode definir o relacionamento como aberto ou fechado, incluindo ou não ficar com gente de fora. Elas podem ou não decidir ter filhos, podem ou não ser religiosas etc etc etc.Como não existem modelos, exemplos ou lições, cada formação poliamorosa deve descobrir seus próprios modos de viver. É necessário muito diálogo, tanto que pelo hábito de conversar sobre todos os detalhes (que os casais monogâmicos geralmente tomam por subentendidos) grande parte dos relacionamentos poli acabam por ter compreensão, entendimento e harmonia iguais ou mesmo maiores que os mais bem sucedidos casais tradicionais. É dessa forma que muitos deles duram um longo tempo, ainda que outros durem pouco e/ou acabem desastrosamente. Acontece.Sem esse diálogo, sem aceitação e acordos, não existe poliamor. O cara que traz outra mulher pra cama do casal sem a total aceitação da esposa, por exemplo, é um cenário do qual já ouvi falar e que está muito longe de representar qualquer amor, quanto mais muitos amores.Quase sempre que se fala de poliamor alguém comenta ser necessário um perfil específico de personalidade ou comportamento para “aguentar” uma relação poliamor. Eu discordo. Pessoalmente, acho que o que é necessária é a compreensão real de que a monogamia é uma escolha que pode causar tanta dor e conflito quanto qualquer outra. Amar uma pessoa não é ter posse sobre ela e esse entendimento faria bem a todos, dispostos ou não a uma relação poliamorosa. No fundo, não é nem sobre quantos amores você tem: é primeiro sobre sua relação consigo mesmo, sua consciência, sua força, sua confiança e a sua paz.

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