Os triângulos illuminati se multiplicaram e agora se acomodam ao redor do globo.

27 de novembro de 2012

Filosofia Escrachada: SUB-SEMANA por Camila Pascoal

Semana passada foi a semana dita “dos negros”, um ato de comiseração, frente à história da vinda dos africanos ao Brasil.
Eu sou contra toda essa piedade. Não somos dignos de pena, somos dignos de respeito, como todo ser humano, indiferentemente da cor, da etnia, do credo, da sexualidade, da religião, da origem...
Mas não, o indivíduo passa o ano inteiro sem se lembrar das vidas que foram ceifadas em navios negreiros, dos filhos que nasceram órfãos, dos homens que não puderam ser pais, pois o direito de constituir família lhes foi arrancado, das mães que esconderam seus filhos para não perde-los à exploração, das garotas que perderam sua inocência na senzala de fazendeiros impiedosos, da tradição que foi perdida, da fé que foi denegrida, da saúde que foi roubada, da paz que foi consumida, da esperança que foi subtraída... E chega numa semana qualquer de novembro quer enaltecer a Consciência Negra? De que consciência estamos falando afinal? Defina Consciência Negra. Qualidade da mente negra?  Qualidade da mente afrodescendente? Se fôssemos um país coerente, não precisaria de dias específicos para lembrar o valor mental de quem quer que seja. Negros, alvos, pardos, amarelos... Qual a diferença real?
Vamos lembrar-nos de Zumbi dos Palmares como um mártir. Morreu lutando em favor dos direitos humanos, protegendo sua família, não como um líder negro que lutou pela sua raça. A raça é a humana. Não existem sub-raças. Subumanos. Subdeus... Existe subconsciente. E se esse povo é tão digno de pena, façamos então o dia da Subconsciência negra para que seu sublegado seja sublembrado pelos superevoluídos sobrepovos da sobrehumanidade.
Balela. Babaquice.
Tire-nos das favelas, nos coloque em escolas públicas com ensino respeitoso, com aulas inteiras, com material didático, com base para universidades federais e nenhuma cota fará sentido, seja de 2 ou 10%. Ela será desnecessária. Disponibilize-nos empregos dignos, onde a ausência de melanina não seja fator favorável para aprovação, ou para superioridade de cargos.
O preconceito não termina quando se iniciam as cotas. O preconceito termina quando educamos pessoas para respeitar seres humanos, em vez de características.
Camila Pascoal

Um comentário:

  1. Se eu te ouvisse dizer estas palavras pessoalmente eu te aplaudiria com lágrimas nos olhos. Sabe como vim parar em seu blog? Buscando informações científicas sérias provando, por a + b, que a raça humana é uma só. E sabe o quê me fez buscar informações sobre esse tema? O fato de, no dia 14 de maio de 2013, eu ter feito minha primeira inscrição no Exame Nacional do Ensino Médio e, após todos os avanços da genética, eu ter que responder qual a minha 'cor/raça'. Eu já trabalhei em gráfica. Nesse setor existe uma paleta de cores prontas chamada PANTONE. Juro, ainda vou comprar uma paleta dessas para mim e o próximo inumano que me perguntar minha cor, vou sacar a paleta e dizer: "olha, minha barriga (já que não vou muito à praia...) está mais para a PANTONE 726. Mas só um minutinho que vou tentar achar a PANTONE do meu SACO!". Me desculpe pela grosseria, mas me inflamo diante de tamanho descaramento desse estadinho brasileiro ainda hoje tentar manter esse apartheid social utilizando ainda conceitos malévolos criados pela classes opressoras para enfraquecer os explorados.
    Ah, desculpe minha ignorância, mas ainda que eu não tenha o conhecimento para argumentar de forma válida, tenho sentimentos que não me permitem calar, ainda que tudo o que eu tenha para dizer seja o meu grito de dor.

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