Os triângulos illuminati se multiplicaram e agora se acomodam ao redor do globo.

12 de maio de 2012

Filosofia Escrachada: PROTAGONISTA por Camila Pascoal


Estava sem muita inspiração esses dias... Sabe quando a gente está vazio, oco? Eu estava assim, completamente inerte. Sem criatividade, sem inovação. Estava numa rotina exaustiva e nada, simplesmente nada mudava no curso dessa rotina. Os trabalhos eram diferentes, os eventos eram diferentes, mas meu propósito no mundo, minha expectativa de vida, ou minha proximidade deles pareciam inalterados. E eu odeio, simplesmente detesto essa sensação de inércia, impotência. Preciso ser e me sentir responsável pelo meu destino.
Aí, quando eu estou nessas crises de “existência”, a vida se encarrega de me por no meu lugar: protagonista do meu mundo, mas figurante no mundo alheio. E as circunstâncias simplesmente fogem do controle, seguem o curso a que foram propostas, não por nós, mas pelo nosso destino. O que quero dizer é que, um homem pode reservar uma mesa na janela, contratar músicos excepcionais e oferecer o jantar mais divinamente maravilhoso para o pedido de casamento à sua amada, mas ele jamais poderá definir sua resposta. O sim ou o não fogem de seu controle. Um atleta pode se preparar para a corrida de sua vida com o mais intensivo dos treinos e o mais profissional dos treinadores, mas na competição, sua vitória, simplesmente foge de seu domínio. E foi exatamente nessa encruzilhada em que me encontrei; estava na busca pela plenitude espiritual da forma mais sincera de entrega, estava empenhada em desafios profissionais, mesmo sem o retono devido, estava dedicando-me ao mesmo tempo e com a mesma intensidade ao meu companheiro e à minha família, mas isso não parecia suficiente.
Mesmo eu fazendo minha parte, buscando a plenitude das partes, eu não alcançava o equilíbrio entre elas. E então, em uma semana eu achei que tudo mudou de uma hora para outra, quando a vida achou que eu merecia uma lição. Um novo trabalho, um novo ambiente, uma nova visão, um novo objetivo. Mas a mesma função, a mesma responsabilidade, a mesma carga horária, as mesmas folgas... No que isso resultou? Na minha nova percepção do mundo em que sou protagonista. Eu descobri que não era a vida que mudava, era eu. Não preciso me atolar de trabalhos, de empresas e de lugares para ser útil. Não é sempre que vou me sentir a pessoa mais importante do mundo, e nem quando eu me sentir assim, significa que eu tenho essa importância toda. É mais importante a gente aproveitar as oportunidades que a vida dá e encarar a monotomia como mais um desafio, porque quando ela acabar, vamos nos sentir vitoriosos, pois nós que acabamos com ela.
Meu destino não foi alterado porque eu fui lá e discuti com as estrelas e mandei a ordem delas mudar. Meu destino continuou o mesmo, minha forma de vê-lo, de aceitá-lo e encará-lo mudou. E é só isso que muda.
Não é porque existe a dúvida do sim ou não, da vitória ou da derrota que vamos desistir de tentar. Isso é inviável. Da mesma forma que é inviável nos sentarmos na calçada e esperar que nossa vida aconteça, porque já temos um destino determinado. Podemos ter um percurso glorioso ou uma estrada vergonhosa. Escolher o caminho digno faz parte da nossa trajetória.
Fiz aniversário, cresci profissionalmente, me dispus a fazer minha história. Segui o curso predestinado e a vida se encarregou de me dar o bônus, por esforço, merecimento. Sim ou não? Vitória ou derrota? Viver com dignidade ou optar pela omissão? Parei de pensar nisso.
Decidi me disponibilizar para a dor e o prazer de ser protagonista do meu próprio destino. Figurante? Só na história dos outros...
Camila Pascoal

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