Os triângulos illuminati se multiplicaram e agora se acomodam ao redor do globo.

21 de julho de 2012

O outro lado do padrão


“Você é magra (o) demais”, “Você é gorda (o) demais”, espera aí: o que vocês querem, afinal? O ponto é: ninguém tem que querer nada de você a não ser você mesmo. Mas parece que nossa sociedade não consegue viver sem um padrão e quem está fora dele é sempre alvo de comentários iguais a esses ou piores. Mas eu comecei a pensar sobre: sou magra demais em relação a quem? E a grande pergunta: por que eu tenho que me comparar a esse padrão imposto? Não, eu não tenho.
Esclarecendo esse parágrafo introdutório um tanto quanto confuso, comecei a escrever sobre isso porque sou considerada “magra demais” por, digamos, 99% das pessoas que me veem. E o que eu quero aqui é mostrar que não só os gordinhos sofrem com os padrões de beleza. Sempre falam do preconceito contra quem “está acima do peso” (novamente, acima do peso com relação a que peso?), mas acredite, quem está “abaixo do peso”, também passa pelo mesmo problema.
Toda festa de família é a mesma coisa, a mesma situação desagradável: “essa menina parece um mosquitinho”, “Tu não cresce, não? Não engorda, não?”, “Mas é muito magrinha a coitada”. “Parece que tem 13 anos” e por ai vai. E sabe o pior? Tenho que manter a educação, que OS OUTROS não têm, eu tenho que sorrir e ficar calada e não falar tudo isso que eu estou falando aqui para eles, porque eu vou ser chamada de “revoltada”, “estressada”, etc.
Mas de um tempo pra cá eu comecei a não dar a mínima atenção pra esses comentários, “entra em um ouvido e sai no outro”; e parei de sentir pena (que é o que eles querem) de mim mesma porque, convenhamos, uma pessoa que passa tempos sem te ver e a primeira coisa que faz é comentar negativamente sobre seu corpo, não está querendo te ver pra cima, né? E eles sempre têm uma desculpa: “Não, não foi isso que eu quis dizer”. Acontece que foi. Foi exatamente isso que você pensou e disse. E eu fico com dó porque eles vão pra sempre estar presos a esses estereótipos e vão passar o resto da vida tentando ser o que não são, e vão obrigar os filhos a serem assim, e vão sempre perder o precioso tempo que temos nessa vida julgando quem não é assim. E eu realmente gostaria que um dia eles vissem que isso não faz sentido algum.
Eu já estive em situações ridículas como ir a uma entrevista de emprego e não consegui-lo não porque eu não era qualificada intelectualmente para o cargo, mas porque eu não era qualificada fisicamente. Eu fui concorrer à vaga para professora de uma escola e a diretora praticamente disse que eu tinha que engordar pra ser professora. Ela passou o tempo todo falando de como eu era magra! Mas ela quer alguém “gordo” pra quê, gente? O preconceito dela foi duplamente ridículo e asqueroso; ela pensa que por eu ser “magra”, os alunos não vão me respeitar e com uma professora “gorda”, eles vão ter medo, ou sei lá o que, e vão obedecer. Essa mulher está no top das pessoas mais ridículas que eu tive o desprazer de conhecer. E se não era isso que ela estava pensando me digam então aonde ela queria chegar dizendo que eu era muito magra e que estava receosa se os alunos iam me obedecer, me digam. Pra enfatizar mais ainda, a sobrinha da diretora disse assim: “Mas tem uma professora aqui que é bem magrinha e ela bota moral mesmo assim”. Eu preciso fazer mais algum comentário sobre isso? Espero que não.
Depois de tudo isso vocês devem pensar que eu peso 28Kg, mas não, eu peso 42kg, e tenho 1,54m. Sou baixa – para o padrão –, sou. No entanto, eu não me acho “esquelética” (mais uma das denominações impostas) e não vou mudar nada na minha alimentação só para satisfazer os outros, se eu for mudar algo vai ser pela minha saúde, e não por beleza. Eu não quero receber o prêmio de Miss Bunda, desculpa, isso não está entre os meus sonhos. Então, até quando o meu físico vai ser mais importante do que o que eu tenho pra falar, do eu o que eu sou? Até quando eu vou ter que me matar numa academia SÓ para parecer com uma garota de propaganda de cerveja (coisa que eu não faço mesmo)? Até quando vão olhar pra mim e pensar que eu não tenho capacidade de fazer nada, de ser competente no meu trabalho só porque eu não pareço a Juliana Paes? 
Outro ponto que me entristece é que quem é considerado acima do peso muitas vezes demonstra também um ódio ou um sentimento de escárnio com aqueles que são "magros", sem nem perceber que o problema existe dos dois lados. “Sou gordinha, não quero ser uma magricela igual a você”, ou “Sou magra, ainda bem, não faço questão de ser gorda”. Não é assim, não é uma guerra, não deveria existir lado nenhum, pois derrubar um padrão pra que se crie outro não muda nada, entendem? Já vi campanhas por aí pela volta do padrão “cheio de curvas” dos anos 50, a barriga um pouco saliente, coxas fartas, etc. Mas as pessoas não entendem que sempre vão existir mulheres (agora direcionando para o feminino) que não se encaixam no padrão do momento e que vão sofrer por conta disso. Ficar dizendo que ter curvinhas é melhor do que não ter, do que ser “uma tábua” é a mesma coisa do discurso a favor da magreza que existe nos nossos dias. Com relação aos homens, hoje está se desenvolvendo o padrão do “magrinho sexy”, aquele estilo com olheiras, cabelo desgrenhado e cara de sono, contra o “saradão da academia”, todo bronzeado, mas e quem não é nenhum e nem outro, nunca vai ser valorizado, é isso?
O ideal seria não ter padrão nenhum, pois somos todos diferentes, nascemos diferentes, crescemos diferentes. E se um tipo de corpo/beleza for considerado melhor do que outro, seja qual for, então vamos sempre ficar estagnados numa sociedade escrava de estereótipos. E sabe qual é minha utopia? Que nós olhássemos para essa situação toda da seguinte forma “Eu não sou magra nem você é gorda, nós apenas temos corpos diferentes".

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