“Você é magra (o) demais”,
“Você é gorda (o) demais”, espera aí: o que vocês querem, afinal? O ponto é:
ninguém tem que querer nada de você a não ser você mesmo. Mas parece que nossa
sociedade não consegue viver sem um padrão e quem está fora dele é sempre alvo
de comentários iguais a esses ou piores. Mas eu comecei a pensar sobre: sou
magra demais em relação a quem? E a grande pergunta: por que eu tenho que me
comparar a esse padrão imposto? Não, eu não tenho.
Esclarecendo esse parágrafo
introdutório um tanto quanto confuso, comecei a escrever sobre isso porque sou
considerada “magra demais” por, digamos, 99% das pessoas que me veem. E o que
eu quero aqui é mostrar que não só os gordinhos sofrem com os padrões de
beleza. Sempre falam do preconceito contra quem “está acima do peso”
(novamente, acima do peso com relação a que peso?), mas acredite, quem está
“abaixo do peso”, também passa pelo mesmo problema.
Toda festa de família é a
mesma coisa, a mesma situação desagradável: “essa menina parece um
mosquitinho”, “Tu não cresce, não? Não engorda, não?”, “Mas é muito magrinha a
coitada”. “Parece que tem 13 anos” e por ai vai. E sabe o pior? Tenho que
manter a educação, que OS OUTROS não têm, eu tenho que sorrir e ficar calada e
não falar tudo isso que eu estou falando aqui para eles, porque eu vou ser
chamada de “revoltada”, “estressada”, etc.
Mas de um tempo pra cá eu
comecei a não dar a mínima atenção pra esses comentários, “entra em um ouvido e
sai no outro”; e parei de sentir pena (que é o que eles querem) de mim mesma
porque, convenhamos, uma pessoa que passa tempos sem te ver e a primeira coisa
que faz é comentar negativamente sobre seu corpo, não está querendo te ver pra
cima, né? E eles sempre têm uma desculpa: “Não, não foi isso que eu quis
dizer”. Acontece que foi. Foi exatamente isso que você pensou e disse. E eu
fico com dó porque eles vão pra sempre estar presos a esses estereótipos e vão
passar o resto da vida tentando ser o que não são, e vão obrigar os filhos a
serem assim, e vão sempre perder o precioso tempo que temos nessa vida julgando
quem não é assim. E eu realmente gostaria que um dia eles vissem que isso não
faz sentido algum.
Eu já estive em situações
ridículas como ir a uma entrevista de emprego e não consegui-lo não porque eu
não era qualificada intelectualmente para o cargo, mas porque eu não era
qualificada fisicamente. Eu fui concorrer à vaga para professora de uma
escola e a diretora praticamente disse que eu tinha que engordar pra ser professora.
Ela passou o tempo todo falando de como eu era magra! Mas ela quer alguém
“gordo” pra quê, gente? O preconceito dela foi duplamente ridículo e asqueroso;
ela pensa que por eu ser “magra”, os alunos não vão me respeitar e com uma
professora “gorda”, eles vão ter medo, ou sei lá o que, e vão obedecer. Essa
mulher está no top das pessoas mais ridículas que eu tive o desprazer de
conhecer. E se não era isso que ela estava pensando me digam então aonde ela
queria chegar dizendo que eu era muito magra e que estava receosa se os alunos
iam me obedecer, me digam. Pra enfatizar mais ainda, a sobrinha da diretora
disse assim: “Mas tem uma professora aqui que é bem magrinha e ela bota moral
mesmo assim”. Eu preciso fazer mais algum comentário sobre isso? Espero que
não.
Depois de tudo isso vocês
devem pensar que eu peso 28Kg, mas não, eu peso 42kg, e tenho 1,54m. Sou baixa
– para o padrão –, sou. No entanto, eu não me acho “esquelética” (mais uma das
denominações impostas) e não vou mudar nada na minha alimentação só para
satisfazer os outros, se eu for mudar algo vai ser pela minha saúde, e não por
beleza. Eu não quero receber o prêmio de Miss Bunda, desculpa, isso não está
entre os meus sonhos. Então, até quando o meu físico vai ser mais importante do
que o que eu tenho pra falar, do eu o que eu sou? Até quando eu vou ter que me
matar numa academia SÓ para parecer com uma garota de propaganda de cerveja
(coisa que eu não faço mesmo)? Até quando vão olhar pra mim e pensar que eu não
tenho capacidade de fazer nada, de ser competente no meu trabalho só porque eu
não pareço a Juliana Paes?
Outro ponto que me
entristece é que quem é considerado acima do peso muitas vezes demonstra também
um ódio ou um sentimento de escárnio com aqueles que são "magros",
sem nem perceber que o problema existe dos dois lados. “Sou gordinha, não quero
ser uma magricela igual a você”, ou “Sou magra, ainda bem, não faço questão de
ser gorda”. Não é assim, não é uma guerra, não deveria existir lado nenhum,
pois derrubar um padrão pra que se crie outro não muda nada, entendem? Já vi
campanhas por aí pela volta do padrão “cheio de curvas” dos anos 50, a barriga
um pouco saliente, coxas fartas, etc. Mas as pessoas não entendem que sempre
vão existir mulheres (agora direcionando para o feminino) que não se encaixam
no padrão do momento e que vão sofrer por conta disso. Ficar dizendo que ter
curvinhas é melhor do que não ter, do que ser “uma tábua” é a mesma coisa do
discurso a favor da magreza que existe nos nossos dias. Com relação aos homens,
hoje está se desenvolvendo o padrão do “magrinho sexy”, aquele estilo com
olheiras, cabelo desgrenhado e cara de sono, contra o “saradão da academia”,
todo bronzeado, mas e quem não é nenhum e nem outro, nunca vai ser valorizado,
é isso?
O ideal seria não ter padrão
nenhum, pois somos todos diferentes, nascemos diferentes, crescemos diferentes.
E se um tipo de corpo/beleza for considerado melhor do que outro, seja qual
for, então vamos sempre ficar estagnados numa sociedade escrava de
estereótipos. E sabe qual é minha utopia? Que nós olhássemos para essa situação
toda da seguinte forma “Eu não sou magra nem você é gorda, nós apenas temos
corpos diferentes".
Texto by Minoria é a mãe!
*Vote CC•B no Prêmio TOPBLOG 2012! http://www.topblog.com.br/ 2012/ index.php?pg=busca&c_b=21132358

Nenhum comentário:
Postar um comentário