Comentário faixa a faixa de MDNA
Por Neil McCormick do The Telegraph
1) Girl Gone Wild
Uma batida seca, com sequências pesadas e ao mesmo tempo
suaves conduzem Madonna ao caminho que ela quer seguir – como a máquina precisa
do techno pop do século 21, fazendo um contra balanço entre o que as rádios
querem com o frenesi das pistas de dança. “As garotas só querem se divertir”,
diz a nossa líder sem medo algum.
Mas onde será que já ouvimos isso antes? Esta noção não é
particularmente original, é o manifesto central do álbum: diversão inocente e
introspecção.
2) Gang Bang
Apesar do título da música, que os jovens fãs serão
advertidos a não jogarem no Google para não saberem seu real significado, esta
não é ( ainda bem ) uma música com rompante sexual brutal. O título é uma
tentativa mal sucedida de dinstinguir a música de uma outra muito popular nos
anos 60 chamada Bang Bang de onde Madonna toma emprestada a imagem central de
alguém que assassina o amante. Bang Bang, te matei. Dei um tiro na cabeça de
meu amante. Esparsa e atmosférica, com uma batida de fundo descascada, vocais lentos,
apoiados por estalos de um sub-baixo que vai se desenvolvendo em uma batida
techno groove sólida, esta é uma das faixas mais bizarras e interessantes do
álbum, apenas manchada pela dedicação intensa de Madonna de não deixar os
clichês da letra passarem desapercebidos. Aparentemente ela está como um peixe
fora d´água ou como um morcego fora da caverna.
3) I´m Addicted
Arpejos de sintetizadores se transformam em sequenciais
eloquentes marcados e efervescentes que criam sons estridentes por toda a faixa.
Um pop digital eficiente que vai soar fantástico nas altas pistas de dança,
mas, como muitas das músicas deste 12º álbum de estúdio de Madonna, vai parecer
óbvio que as letras foram incluídas na canção posteriormente. Alguém realmente
precisa de outra música sobre ser viciado em amor, comparando o efervecer dos
hormônios aos narcóticos? O vocal é cortado e gago, de forma que Madonna
repetidamente declara ser a dick, a dick. ( Nota da tradução: dick aqui se
refere ao órgão sexual masculino sendo a expressão a dick cacofônica com o
título da música e à palavra addicted.)
4) Turn Up The Radio
Mesmo na era da Internet, ainda é o rádio que encanta a
nossa rainha do pop de 53 anos. Teclados reluzentes e rebuscados emolduram um
início lento, com Madonna procurando espaço na multidão (ou melhor, numa
tentativa de se usar todos os clichês disponíveis, ela cita “the maddening
crowd” – a multidão enlouquecida – mas fazendo trocadilho com seu nome) antes
que um sintetizador agradável, mas frouxo, lançar um pop mais sólido. Madonna
se sente “sugada como uma mariposa pela chama”, mas o efeito da música na pista
de dança com certeza deve distrair seus ouvintes da banalidade da letra.
5) Give Me
All Your Luvin’
Seria a maneira de grafar o título uma forma de distinguir
essa canção de outra do ZZ Tops chamada Gimme All Your Loving nos mecanimos de
busca? As tentativas seriadas de apropriação de coisas alheias pela parte de
Madonna podem levemente passar por algum tipo de jogo de conhecimentos musicais
a ser jogado em qualquer sala de estar com um aparelho de som.
O primeiro single do álbum é a mais leve e mais superficial
faixa do álbum, propositalmente bonitinha e curta, contruída com sintetizadores
frenéticos estilo anos 80 e uma batida constante. O seu objetivo central
parecer ser envolver Nicky Minaj e M.I.A como representantes da próxima geração
de cantoras pop em um coro que faz juramentos de fidelidade e lealdade à rainha
do pop, dizendo: “L-U-V Madonna”.
6) Some Girls
Vamos dar à Madonna o benefício da dúvida e presumir que ela
não sabia que os Rolling Stones já haviam lançado uma música chamada Some
Girls. De qualquer forma, você nunca veria Mick e Keith fazendo uma canção com
um groove meio tempo em uma linha de baixo totalmente electro e com
sintetizadores. O produtor Willian Orbit brinca com os vocais de Madonna
levando-o do intimista até o ecoado, do tímido ao sedutor, mas a intenção
aparentemente não é a de retratar Madonna como qualquer tipo de mulher:
“Algumas garotas não são como eu. Eu nunca quis ser como algumas garotas.”,
declara Madonna na letra.
7) Superstar
Doce e quente, um ambiente cintilante se controi de um loop
de guitarra redondo até um ecoante tum Tum que deve ter sido feito com base nos
arranjos de bateria dos Beatles. A melodia pegajosa e os “ ohh la la, você é
uma superstar” do refrão que o convida a cantar junto constrói uma letra tão
desastrosa que sua estupidez soa como proposital. “Você pode ter a senha do meu
telefone. Te mandarei uma mensagem quando chegar em casa.” Para alguém
determinada a se conectar com as crianças, as referências retrô de Madonna ao
homem ideal são de deixar qualquer jovenzinho desnorteado: Brando, Travolta,
James Dean, Bruce Le e Abe Lincoln (porque você luta pelo que é correto.)
8) I Don´t
Give A
Tem uma certa energia essa produção de Martin Solveig.
Madonna levanta o dedo médio para o mundo em geral e para o ex-marido Guy
Ritchie em particular. “Tentei ser uma boa moça. Tentei ser sua esposa. Eu me
diminuí e engoli toda minha luz. Eu tentei ser tudo que você esperava de mim. E
se isso foi um fracasso, eu não dou a mínima.” (eu tentei pensar em um
obscenidade que rimasse com “me”, mas talvez eu não tenha entendido o contexto
. O final se mistura com um enorme coral com o drama de Carmina Burana. Um
destaque no álbum, embora o rap explosivo de Niki Minaj mostra a mensagem mais
estática de Madonna.
9) I´m a Sinner
Com Orbit de volta ao controle, isso é uma reminiscência da
eloquência de Ray of Light. Contruida em cima de um loop de bateria, ela pulsa
junto com um teclado fluido quase anos 60, evoluindo para um grande e declarado
coral techno gospel, com Madonna extenuantemente declarando que, como Santo
Agostinho, ela quer ser salva, mas não ainda. A pausa na pregação dos Santos
(Critóvão, Sebastião e Antônio, todo têm seus nomes marcados) é eficiente e
termina com “ooh ooh’s” reminiscentes de Sympathy for the Devil dos Stones.
Divertido.
10) Love Spent
Cordas ciganas tratadas como um banjo Western Spaghetti
surgem para introduzir um sentimento quase que orgânico para um álbum muito
sintético e estilizado. Uma canção pop sobre amor e dinheiro (tópicos que
Madonna frequentemente visita) que se eleva para padrões electro elegantes e um
coro pulsante.
11) Masterpiece
Uma canção de amor doce e gentil, com toques de guitarra
espanhola, batida leve e melodia fluente, tudo preenchido por cordas
sintéticas. A música tema para o seu criticado filme W.E. Ela deveria estar
pensando no rei Eduardo VIII quando escreveu: “honestamente não dá para ser
divertido ser sempre o escolhido”, mas a mensagem se aplica quase em sua
totalidade à própria Madonna. Por todo o álbum ela determinadamente tenta
demonstrar que uma mãe de 50 anos, com quatro filhos, ainda pode estar na ativa
e se divertir com suas crias na pista de dança. Mas ainda, perversamente, ela
soa um pouco suave demais quando acalma um pouco o seu show e age como alguém
da sua idade.
12) Falling Free
As primeiras cinco faixas de MDNA foram todas produzidas
pelo time do hit techno e os resultados são digitalmente brilhantes, pegajosos
e contemporâneos. A segunda parte do álbum é comandada por Willian Orbit e é
mais introspectiva e inventiva. Mas somente no encerramento do álbum vemos que
existe uma sugestão de que existe vida além da parada de sucessos. Com uma
melodia progressiva, sem batidas e poética, desprendida de letra, o vocal puro
e sonhador de Madonna a fez declarar como alguém livre para errar. É uma canção
sobre se deixar levar, de uma mulher que, na sua totalidade parece estar se
agarrando a tudo firmemente. Apesar de um pouco deslocada do resto do álbum, em
sua esfuziante juventude focada no eletro pop, ela sugere que Madonna pode, na
verdade, ter ainda lugares de musicalidade e sentimentos a serem explorados
quando ela tenta, eventualmente se cansar da batida pop.
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