Os triângulos illuminati se multiplicaram e agora se acomodam ao redor do globo.
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9 de junho de 2012
Filosofia Escrachada: MEDO DA MORTE por Camila Pascoal
Eu nunca acreditei em Conto de Fadas. Papai Noel? Nunca! Coelho da Páscoa? Também não. Essa história de Fada do Dente, Bicho Papão, Homem do Saco... Nunca me fizeram rir, nem me amedrontaram, fui uma criança que não acreditava em mundo paralelo. Fui uma criança que tinha mais medo da própria sombra do que de Monstros Mitológicos, mais medo de receber um bilhete no caderno pela professora com a necessidade da assinatura da mãe, do que medo de dormir no escuro. Não sei exatamente a que se deve isso. Claro que foi por causa da educação que recebi, mas quais pontos dessa educação definiram esses pilares de descrédito à ficção, àquilo que não é palpável?
Fui uma criança normal, que se tornou uma adolescente realmente problemática. É bem provável que se eu fizesse parte de outra família meus problemas não seriam detectados e eu não teria me tornado uma jovem mulher saudável. Mas o fato de ser problemática e ser reconhecida como tal gerou uma série de outros fatores que me tornaram infeliz. Fui literalmente uma adolescente complicada, problemática, infeliz e MEDROSA!
Fui muito medrosa! Ainda sou, mas antes vivia em um pânico constante. Meus medos iam do corriqueiro, cotidiano – medo de ser assaltada, por exemplo – ao medo fantasioso, aquele medo de aparecer uma bruxa verruguenta no meio da noite. Sonhava com demônios, acordava berrando no meio da noite. Pedia para dormir no quarto da minha mãe...
Depois comecei a ter medo da morte: um medo aterrorizante. Meu pai saía de casa e eu me desesperava, pensando que a qualquer momento alguém ligaria, anunciando seu falecimento. Ligava todos os dias para meus avós só para saber se eles estavam realmente vivos. Chorava copiosamente pensando que poderia perder meus irmãos, ou qualquer outra pessoa próxima, parente ou não. Olhava vezes e mais vezes para os lados com medo de atravessar a rua e às vezes ia, ou desistia. Tinha um medo absurdo de morrer. Fantasiava meu caixão e minha mãe chorando debruçada em meu cadáver. Que medo, que pavor, que pânico!
Até que vi a morte realmente de perto: perdi meu avô! Já não era tão adolescente. Estava mais pra jovem. Ia começar minha faculdade. Perdi meu avô.
A dor mais angustiante que já senti. A pior sensação. Indescritível em palavras. Não foi dor física, por isso medicamento nenhum sanou ou aliviou. Uma dor interna, que por mais aquecido que meu peito ficasse, meu coração permanecia intocável. Gelado, dolorido, magoado... Durante muito tempo não dormi. Senti calafrios noturnos, mas não por medo. Por ausência. Saudade mesmo. Não sentia mais medo da morte, sentia raiva. Ela é inesperada, covarde, sorrateira, dissimulada, bruta e abrupta!
Ela causa dor e devastação. Incontrolável. Incompreensível. E foi definindo essas atribuições à morte através da perda do meu avô que percebi que temê-la não a impede de existir e jamais será possível evitá-la, por mais serena que a vida esteja. Perder tempo da vida fugindo da morte é como perder tempo no mar fugindo do sal. Não dá pra separar, nem pra evitar.
Decidi, portanto que só teria medo do controlável. E assim sou eu: uma jovem que morre de medo de lagartixa, de rã, de cobras e de assalto, mas da morte? Não tenho medo, mas a quero bem longe de mim e de quem eu amo.
“Começamos a morrer, no momento que nascemos e só vamos viver o quanto a morte permitir.”
Camila Pascoal
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Falou e disse!!! Agora: adolescente problematica? Vc?? Magina!!!! Rssss! #soutuaf~a!
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